A última vez que a gente viu um desfile de Marc Jacobs foi na temporada de inverno 2020. Ele era todo sobre as imagens e lembrança delas que compõem o imaginário estético de Nova York e do estilista: a patricinha do Upper East Side, a fashionista do Downtown, as senhoras e ladies who lunch, a indie do Lower East Side, a clubber do Brooklyn, as bichas e travestis do Meatpacking District e do Chelsea e por aí vai.
A sala de desfile era composta apenas por mesinhas e cadeiras, como um café. A iluminação pontual e precisa revela, de repente, uma bailarina que se contorce toda e logo segue em passos firmes. Era a coreógrafa Karole Armitage, contatada horas antes da apresentação para conceber e dirigir aquela performance. Uma combinação de catwalk com dança ante e entre os convidados tão caótica quanto rigorosa, eufórica e melancólica ao mesmo tempo. Bem como a gente se sente quando ouvimos aquela música que nos fazia rodopiar na pista.
Ainda não tinha pandemia e ninguém sabia que, meses depois, tudo que a gente mais gostaria era de um pouco daquela bagunça toda. Durante quase 16 meses, Marc decidiu não apresentar nada de novo. Ok, rolou o lançamento da Heaven, uma espécie de segunda marca, mas foi isso. Não teve evento, desfile virtual nem nada do tipo. Agora, com mais de 70% da população de Nova York vacinada, ele sentiu que o movimento fazia sentido e era hora às passarelas com a coleção de inverno 2021. Só não foi como muita gente esperava – ainda assim foi lindo












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